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Conferência final reuniu parceiros de cinco países europeus no Templo da Poesia, em Oeiras, para apresentar um modelo de reinserção através da economia azul Oeiras, 26 de junho de 2026 — O projeto Turning Blue, cofinanciado pelo Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura (EMFAF) e gerido pela Agência de Execução Europeia para o Clima, as Infraestruturas e o Ambiente (CINEA), em nome da Comissão Europeia, concluiu esta semana três anos de trabalho com uma conferência final em Oeiras. O objetivo do projeto: abrir caminhos de carreira na economia azul a jovens vulneráveis, entre os 16 e os 30 anos, através de um modelo de transição testado em cinco países. Ao longo de 36 meses, um consórcio de nove entidades de Portugal, Países Baixos, Roménia, Chipre e Itália chegou a mais de 80 jovens em contexto prisional com formação de sensibilização para a economia azul, e capacitou mais de 80 profissionais de prisões, orientação profissional e setores marítimos. O projeto organizou ainda um curso de formação de formadores, cinco seminários nacionais com mais de 100 participantes — incluindo na Roménia, em Constança, com o apoio da Universidade Marítima de Constança — e dois eventos europeus online, ultrapassando os 500 participantes no total. "Enquanto criminóloga, atravessava todos os dias a Ponte 25 de Abril a caminho do trabalho e não parava de pensar: porque é que não exploramos estes setores? O oceano, os portos... há ali uma oportunidade", conta Rita Lourenço, Diretora Adjunta e responsável pela Unidade do Sistema de Justiça Criminal da Aproximar, sobre a origem da ideia do Turning Blue. "O que podemos fazer para juntar tudo isto e arranjar emprego para jovens vulneráveis neste setor?" Um dia de partilha e novos horizontes A sessão abriu com as boas-vindas da Aproximar, entidade anfitriã, por João Melo (Chief Operating Officer da Área de Conhecimento do Sistema de Justiça Criminal), seguida de uma apresentação em formato TED Talk sobre o projeto, por Rita Lourenço (Diretora Adjunta, Gestora da Unidade do Sistema de Justiça Criminal) e Max ter Beek (Gestor de Projeto, Click F1), e de uma atividade interativa — o Jogo da Pesca —, dinamizada por Roos Swart (Coordenadora de Curso e Gestora de Projeto na ProSea Marine Education). "Começámos por mapear os diferentes setores — pescas e aquicultura, trabalho portuário, transporte marítimo, serviços marítimos e turismo — e por perceber que competências são exigidas em cada um", explica Max ter Beek, Gestor de Projeto na Click F1. "Depois avançámos para a formação, com workshops construídos à volta do 'aprender fazendo', porque foi isso que resultou melhor com os jovens. E deixamos sempre que sejam eles a decidir o que querem explorar a seguir." Depois de uma pausa para café, com acesso à Galeria Turning Blue, os participantes seguiram para dois workshops práticos: "Explorar a Economia Azul", conduzido por Celso Alves (Universidade de Leiria), e "Mergulhar na Empregabilidade no Sistema de Justiça Criminal", conduzido por Bruno Coutinho (Fundação "la Caixa", Incorpora y Reincorpora). "A nossa experiência com o programa Incorpora ensinou-nos que é muito difícil trabalhar a empregabilidade quando as pessoas já estão cá fora. Temos de começar antes da libertação — com um acompanhamento de grande intensidade ainda dentro da prisão, normalmente entre seis a vinte meses antes da saída", sublinha Bruno Coutinho, da Fundação "la Caixa" (Incorpora y Reincorpora). "Em contextos de fragilidade e vulnerabilidade, as pessoas desenvolvem competências como a criatividade e a resiliência. O nosso papel é reorientar essas competências para o mercado de trabalho." A tarde trouxe um seminário participativo, moderado por Cor Blonk (Secretário para os Assuntos Laborais da Pelagic Freezer Trawler Association — PFA), e um painel sobre os desafios e oportunidades europeias da reinserção, moderado por Claire Machan (Coordenadora do Portefólio de Reabilitação, Reintegração e Comunidade na IPS_Innovative Prison Systems), com testemunhos em primeira pessoa dos próprios jovens. Depois da exibição de um vídeo sobre o Turning Blue, Gonçalo Salema (Aproximar) e Ana Rita Pires (IPS_Innovative Prison Systems) apresentaram "A Rota do Bacalhau: Traçando Novos Caminhos Juntos". As palavras de encerramento couberam à Sandra Cruz (Vice-Diretora-Geral da DGPM) e Tiago Leitão (CEO da Aproximar), seguindo-se um cocktail de networking e jantar nos jardins do Palácio do Marquês de Pombal, com música ao vivo e produtos feitos por jovens no Estabelecimento Prisional de Leiria-Jovens. Entre os muitos participantes que deram voz ao dia estiveram Ruben Eiras (Secretário-Geral do Forum Oceano), Ioan Durnescu (Professor, Universidade de Bucareste), Marilena Donnaloia (Bióloga Ambiental na Fondazione Marevivo), Juan Torres (Advogado, Cardedeu Legal Advocates e Professor Universitário), Márcia Passos (Membro do Conselho de Administração da DocaPesca), Rodrigo Oliveira (Stone Soup Leadership Project), Kenny Baas (Bek & Verburg), Joris Van Den Boer, Ed Santman (Partners in Crime Prevention) e Alberto da Michele (Click F1).
O papel dos empregadores foi um dos temas mais discutidos do dia. "As empresas e organizações têm uma responsabilidade social nesta matéria. Há tantas oportunidades espalhadas pelo território português — só precisamos de acreditar que é possível", afirmou Márcia Passos, da DocaPesca. Kenny Baas (Bek & Verburg) acrescentou: "É preciso ajuda e estrutura para receber estes jovens nas nossas empresas. É preciso um verdadeiro compromisso por parte do empregador, e o apoio de mentores e organizações é igualmente importante." Joris Van Den Boer questionou o que mais pode ser feito: "O que mais podem os empregadores fazer para que isto tenha mais sucesso? Precisam de entrar em cena numa fase muito inicial, para começar a construir essa relação profissional desde cedo." Uma ideia reforçada por Rodrigo Oliveira (Stone Soup Leadership Project): "É fundamental que as empresas se envolvam nestes projetos. Precisam de estar atentas a algumas particularidades, e é preciso envolver todas as partes interessadas para que todos estejam preparados para receber estes jovens." O que o projeto deixa Ao longo de três anos, o Turning Blue desenvolveu um curso de sensibilização para a economia azul, um modelo estruturado de transição que liga serviços prisionais, técnicos de orientação profissional, empregadores da economia azul e organizações da sociedade civil, uma plataforma online de correspondência de emprego (job-matching) e um programa de mentoria que junta jovens a mentores para aprendizagem e acompanhamento no local de trabalho — tudo orientado por um roteiro dos setores da economia azul mais adequados a este público. A conferência final marca um momento importante, mas não o fim: seguem-se novidades do projeto nos próximos meses. Sobre o projeto: O Turning Blue — "Integrar jovens infratores através da economia azul" — é um projeto de 36 meses (2023–2026), cofinanciado pelo Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura (EMFAF), ao abrigo da candidatura EMFAF-2023-BlueCareers, e gerido pela Agência de Execução Europeia para o Clima, as Infraestruturas e o Ambiente (CINEA), em nome da Comissão Europeia. Coordenado pela Aproximar – Cooperativa de Solidariedade Social (Portugal), o consórcio reúne nove parceiros de cinco países da UE: Aproximar e Innovative Prison Systems (Portugal); Stichting ProSea Marine Education, Pelagic Freezer Trawler Association (PFA), Stichting Click F1 e Stichting 180 (Países Baixos); EaSI – European Association for Social Innovation (Roménia); Magnetar Ltd (Chipre); e I.R.F.I.P. (Itália).
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